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O que é Mieloma Múltiplo?
Quais os sintomas mais Frequentes?
Quais são as causas do Mieloma?
Quais são os exames iniciais para o diagnóstico?
Como pode ser determinado o Estadiamento e Classifica-ção do Prognóstico para cada Paciente?
Quais são os tipos de Tratamento do Mieloma?
O que é Terapia Inicial ou de Primeira Linha?
Quais os Tratamentos de Suporte disponíveis?


O que é Mieloma Múltiplo?
Mieloma Múltiplo é um tipo de câncer de medula (tecido esponjoso que preenche o centro da maioria dos ossos) que afeta as células plasmáticas, que são um tipo de glóbulos brancos.
As células plasmáticas são células produtoras de anti-corpos normalmente presentes na medula óssea (< 5% das células).
Uma célula plasmática cancerosa é chamada de célula de mieloma.
No mieloma essas células plasmáticas cancerosas aumentam em número (> 20% das células da medula) e em atividade.
Essas células de mieloma causam problemas que precisam de tratamento.
O mieloma é chamado de “mieloma múltiplo” porque múltiplas áreas da medula são normalmente afetadas.
Existe uma variação substancial entre pacientes devido:
-
Ao número de áreas da medula óssea afetadas;
-
À localização dessas áreas (ex.: coluna vertebral, pélvis, braços e/ou pernas);
-
À atividade ou padrão de crescimento do mieloma.


Quais os sintomas mais Frequentes?
Quando no primeiro estágio, o mieloma pode não apresentar sintomas. Mas a medida que a doença progride os sintomas aparecem. Os sintomas típicos são: dores ósseas, anemia, problemas renais e fraturas patológicas. Infecções frequentes também são comuns porque o sistema imunológico fica comprometido.

EFEITOS DO MIELOMA
Efeitos do número
de células de
Mieloma na medula
Causas
Impacto no
Paciente
Anemia
Diminuição no número e na atividade das células produtoras de glóbulos vermelhos
Fadiga
Fraqueza
Alto nível de proteínas (no sangue
e/ou na urina)
Proteína monoclonal ou normal produzida pelas células de mieloma é liberada na corrente sanguínea e pode passar para urina (Proteínas de Bence Jones)
Má circulação
Possível dano renal
Lesões ósseas Reabsorção óssea (osteoporose)
Áreas de lesões ósseas mais severas causando lesões líticas, fraturas ou colapso de uma vértebra
As células de mieloma ativam os osteoclastos, que destroem os ossos e bloqueiam os osteoblastos que normalmente reparam os ossos.
Dores ósseas
Fratura ou colapso
de um osso
Níveis elevados de cálcio no sangue (hipercalcemia)
Liberação de cálcio na corrente , sanguínea decorrente da reabsorção óssea.
Confusão mental
Desidratação
Constipação
Fadiga
Fraqueza
Redução da função do sistema imunológico contra infecções
As células de mieloma bloqueiam a produção de anticorpos contra infecções
Predisposição a infecções.
Demora na
recuperação de
infecções

 


Quais são as causas do Mieloma?

Nenhum fator isolado tem sido associado de forma consistente ao mieloma múltiplo. Contudo, sabe-se que:

 

·      O mieloma é extremamente raro em crianças, adolescentes e adultos jovens. Em adultos, a probabilidade de ocorrência da doença aumenta com a idade. A maior incidência é entre indivíduos na faixa dos 50, 60 e 70 anos. As teorias sobre o impacto da idade incluem:

·          Diminuição da capacidade do sistema imunológico de eliminar as possíveis células precursoras do mieloma;

·          Impacto cumulativo de exposições ambientais com a idade;

·          Efeitos hormonais ou outros efeitos do envelhecimento.

·      O mieloma é mais comum em homens. Novamente, os motivos não são claros e incluem tanto efeitos hormonais como exposições relacionadas ao trabalho.

·      O mieloma é mais comum em negros. Várias interações gene-ambiente foram propostas para explicar a maior incidência em indivíduos de descendência negra. Foram avaliadas diferenças em receptores hormonais, reatividade imunológica e metabolismo de toxinas.

·      De modo geral, parece que algumas profissões, exposição às substâncias químicas (p. ex., dioxinas, solventes, agentes de limpeza) e à radiação podem eventualmente causar mieloma em indivíduos predispostos. A diversidade de exposições e fatores de susceptibilidade genética possíveis dificulta a comprovação.

·      Apesar de haver uma tendência rara de ocorrência de mieloma na mesma família (3%-5%), a probabilidade é baixa e não há ensaios genéticos disponíveis no momento.

·      Infecções, particularmente as virais, já foram propostas como fatores causais ou desencadeadores. Vários estudos relacionam o mieloma a infecções por HIV, vírus da hepatite, herpes vírus (sobretudo o herpes vírus 8), Epstein Barr Vírus (EBV) e novos vírus ‘adaptados às escondidas’, como o citomegalovírus (CMV) mutado. A freqüência e a importância desses vírus ainda precisam ser investigadas em detalhes.

·      É provável que sejam necessários vários fatores ambientais e predisponentes para o desenvolvimento do mieloma em um determinado indivíduo.



Quais são os exames iniciais para o diagnóstico?

Quando se suspeita de mieloma, é necessário realizar uma série de exames para se chegar a um diagnóstico conclusivo e avaliar o estádio e a atividade da doença.

 

TESTE

OBJETIVO

Biópsia da medula óssea

Teste mais importante para determinar a porcentagem de células do mieloma na medula óssea. Na doença de Estádio I ou em plasmocitoma solitário, realiza-se biópsia direta da massa tumoral.

 

 

São realizados exames especiais para avaliar o prognóstico (p. ex., cromossomos, imunotipagem, coloração para amilóide).

A análise cromossômica (teste citogenético) pode revelar características cromossômicas boas ou ruins por análise direta e/ou de FISH.

 

 

Exame de Sangue

 

 

 

1.   Hemograma completo

·    Avalia a presença/gravidade da anemia

·    Verifica contagem baixa de glóbulos brancos (leucócitos)

·    Verifica contagem plaquetária baixa

 

 

2.   Testes bioquímicos

·    Particularmente importante para avaliar a função renal (creatinina e uréia), nível de cálcio e DHL.

 

 

3.   Proteínas especiais

Esse teste mostra a presença da proteína monoclonal do mieloma.

·      Eletroforese de proteínas séricas (EFPS)

·    Determinação de quantidade de proteína do mieloma anormal e nível de albumina normal.

·      Imunofixação

·    Mostra o tipo de proteína do mieloma (isto é, de cadeia pesada [G, A, D ou E], cadeia leve, kappa [k], lambda [l]).

·      Teste FREELITE®

·    Pode ser usado para medir a quantidade de kappa ou lambda livre se não for identificada anormalidade na EFPS.

 

 

Exame de Urina

 

 

 

Proteínas especiais, igual ao teste sérico citado acima:

·      Eletroforese de Proteínas Urinárias (EFPU)

·      Imunofixação

·      Teste FREELITE®

Mostra a presença, a quantidade e o tipo de proteína do mieloma anormal na urina.

Exame Ósseo

Avalia a presença, a gravidade e a localização de qualquer área de dano ósseo.

 

 

Radiografia

A radiografia continua sendo o ‘padrão-ouro’ para verificar dano ósseo causado pelo mieloma. É necessário fazer uma varredura completa do esqueleto para detectar mieloma através de uma série de radiografias; o intuito é demonstrar perda ou enfraquecimento do osso (osteoporose ou osteopenia causadas por destruição óssea por mieloma), lesões líticas e/ou qualquer fratura ou colapso do osso.

 

 

RNM

Usada quando as radiografias são negativas e/ou para uma avaliação mais detalhada de algumas áreas em particular, como coluna vertebral e/ou cérebro. Pode revelar a presença e a distribuição da doença na medula óssea quando as radiografias não demonstram nenhum dano ósseo. Também pode revelar doença fora do osso, que pode estar pressionando os nervos e/ou a medula espinal.

 

 

Tomografia computadorizada (TC)

Usada quando as radiografias são negativas e/ou para uma avaliação mais detalhada de algumas áreas em particular. Especialmente útil para uma avaliação detalhada de áreas pequenas com possível dano ósseo ou pressão sobre um nervo.

 

 

Exames de Medicina Nuclear

Cintilografias ósseas de rotina usadas para outros tipos de câncer. Não são úteis em mieloma e não devem ser usadas.

 

 

FGD/PET de Corpo Inteiro

Técnica de avaliação do corpo inteiro muito mais sensível que está sendo investigada no momento. Os resultados iniciais sugerem utilidade na monitoração da doença, principalmente a não-secretora.

 

 

Densitometria Óssea

Útil para avaliar a gravidade da perda óssea difusa no mieloma e medir a melhora em série que ocorre com a terapia com bisfosfonato.

 

 



Como pode ser determinado o Estadiamento e Classifica-ção do Prognóstico para cada Paciente?

Antes de desenvolver um plano de tratamento, é extremamente útil determinar o estádio e a classificação do prognóstico para cada paciente. O Sistema de Estadiamento de Durie e Salmon (vide a seguir), em uso desde de 1975, é muito bom tanto para avaliar a perspectiva para cada paciente como para classificar o paciente para estudos clínicos e comparar com os resultados já publicados.

 

SISTEMA DE ESTADIAMENTO DE DURIE E SALMON

Estádio

Critérios

Medida da Massa de Células do Mieloma (Células x 1012/M2)

Estádio I

(A ou B)

 

massa celular baixa

Todos os itens a seguir:

·      Valor de hemoglobina > 10 g/dl.

·      Valor de cálcio sérico normal ou < 12 mg/dl.

·      Na radiografia, estrutura óssea normal (escala 0) ou apenas plasmocitoma ósseo solitário.

·      Baixa taxa de produção de componente M com valor de IgG < 5g/dl e de IgA < 3g/dl.

·      Proteína de Bence Jones < 4 g/24h.

< 0,6

Estádio II

(A ou B)

 

massa celular intermediária

Não atende aos critérios de Estádio I nem de Estádio III.

0,6 - 1,2

Estádio III

(A ou B)

 

massa celular elevada

Um ou mais dos seguintes itens:

·    Valor de hemoglobina < 8,5 g/dl.

·    Valor de cálcio sérico > 12 mg/dl.

·    Lesões ósseas líticas avançadas (escala 3).

·    Alta taxa de produção de componente M com valor de IgG > 7 g/dl e de IgA > 5 g/dl.

·    Proteína de Bence Jones > 12 g/24h.

> 1,2

 

Subclassificação A:

Função renal relativamente normal

(valor de creatinina sérica < 2,0 mg/dl)

 

 

Subclassificação B:

Função renal anormal

(valor de creatinina sérica > 2,0 mg/dl)

 

Outros fatores prognósticos são usados para classificar pacientes de uma forma simples e reprodutível como base para o planejamento do tratamento.

 

 

TESTE

IMPORTÂNCIA

Beta 2 Microglobulina Sérica

(Sb2M)

Teste simples e facilmente encontrado; deve ser realizado em todos os pacientes. Níveis elevados indicam mieloma mais ativo.

Albumina Sérica

(Alb. S.)

Proteína normal do sangue medida rotineiramente como parte dos testes bioquímicos. Níveis baixos indicam doença menos favorável.

Proteína C reativa

(CRP)

Proteína normal do sangue. Níveis elevados indicam mieloma mais ativo.

 

 

Exames de fator prognóstico mais complexos:

Vários outros exames já demonstraram ser úteis do ponto de vista prognóstico. Contudo, esses exames nem sempre estão disponíveis e/ou são muito caros para serem realizados rotineiramente.

 

Índice de marcação das células plasmáticas (PCLI):

Expresso em porcentagem. Índice de marcação baixo é considerado favorável. Amostras frescas de medula óssea e/ou sangue devem ser enviadas à Clínica Mayo para análise.

 

Análise cromossômica:

Testes citogenéticos padrão e/ou análise de FISH (hibridização in situ com fluorescência) podem ser realizados em amostra fresca de medula óssea. Cromossomos anormais, sobretudo a perda total ou parcial do cromossomo 13, indicam um prognóstico pior, com menor probabilidade de resposta do mieloma ao tratamento.

 

Análise molecular do array: